Caminho para casa

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Sempre soube tudo que queria para mim e tudo que era este mundo que me rodeia, cheio de falsidades e oportunistas. Mas também conheci o mundo brilhante cheio de sorrisos e momentos de encher o coração.
Soube desde o início o que sentia e o que era. Moldei quem sou e moldei o mundo numa imagem ambígua e delicada para que pudesse ter esse teu sorriso sempre na minha memória.
São momentos como esse que me fazem recuar a um passado tão distante e me faz chorar por dentro porque sei que não volta. Nunca mais consegues recuperar o que não viveste e jamais consegues viver o que não esqueceste. Bom ou mau, estará sempre lá.
Traçar um rumo na vida é bom. Por vezes torna-se um obstáculo, noutras ocasiões é o que nos move. Todos sabemos disso, tu sabes disso.
Talvez não saibas é que a certo momento deste enorme percurso te vais perder. Todos nos perdemos um dia e ficamos sem saber o caminho de regresso a casa.
Tenho a chave de uma casa que não sinto minha, sinto-a vazia. Tenho as chaves de algo que é mais que nada um tanto de zero.
É como te deixares cair por esse abismo sem pensar em mais nada. É como fechar os olhos e adormecer sem querer saber se amanhã vou acordar. Amanhã não é importante porque o presente pouco vale.
Sinto-me a desistir e perdido num bosque repleto de um nevoeiro denso. Já não encontro o caminho de regresso e nem sequer espero que alguém me dê a mão. Não te espero porque sei que já não voltas. Não te espero pois sei que não voltarás para me mostrar o caminho dessa teu doce lar, a minha casa.

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