Escondi-me nas palavras para que um dia não soubesses onde me encontrar. Só que depois eu vi que, afinal, são as palavras que nos unem. São os momentos entre teclas e frases proferidas, entre cartas e emails. Neles construímos aquilo que as vidas reais chamam de “relação”.
Aos poucos vamos ficando viciados um no outro que nem damos por isso. Aliás, até damos fé. Sempre que nos temos de separar e seguir cada um para sua casa. É aí que o coração aperta e a alma fica tão pequena. Dói demais chegar a casa sem te ter trazido comigo, dói não chegar a casa contigo.
Estamos a ficar apaixonados e somos avisados pelos amigos, os mesmos que nos conhecem e sabem o quanto nos amamos realmente. Mas, só nós não queremos ver. Nós não queremos pertencer a esse mundo real. Tendemos em viver uma subtil ilusão que ainda ontem nos conhecemos e é cedo para tudo.
Estamos errados porque nunca é cedo nem tarde. Nunca é cedo demais para arriscar e nunca é tarde para viver. Viemos no tempo certo – e se assim o é, vamos dar as mãos e viver o nosso tempo – juntos.
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